Beleza não se põe à mesa, mas ninguém quer comer no chão

O que é design para você? Pense bem na resposta.

Vamos tentar entender pelo contexto? Tem designer de bolos, designer de sobrancelha, designer de produto, designer de experiência, designer de interface, designer de móveis, designer gráfico (olá!), webdesigner… tem design thinking, design de moda, design instrucional, design de games, e por aí vai….

E tudo isso é design? Bem, há controvérsias….

Design é um termo que vem do inglês, com base no latim designare, e não contempla uma tradução exata em português. Há quem traduza, erroneamente, como ‘desenho’. Uai, mas não é desenho? Chegaremos lá. Design em espanhol é ‘disegño’, enquanto desenho em espanhol é ‘dibujo’. Talvez a confusão parta daí.

Ouço muito isso… “ela desenha”. Sim, eu desenho, mas não sou ilustradora (aliás, jamais poderia viver disso!). “Você é designer? Então você trabalha com Photoshop.” Ééé… eu até uso Photoshop vez ou outra, mas poderia viver muito bem como designer sem saber usar essa ferramenta (Sério? Sim.) “Ah, já sei: Você é designer, então tem muito bom-gosto!” Olha, amigo, fico lisonjeada, mas não é isso que faz de mim uma designer.

Alexandre Wollner, considerado o pai do design moderno no Brasil, que faleceu recentemente, certa vez definiu design com precisão e simplicidade: Design é projeto.

E eu sou dessas que prefere as respostas mais simples. Navalha de Occam rules. Mas para fechar um pouco o leque aqui, venho com uma outra definição que me parece mais adequada ao nosso contexto: Design é a solução visual de um problema.

Ah, então design nada tem a ver com criar algo belo? Eu diria que design nada tem a ver com algo apenas belo. Veja bem: design é projeto, e esse projeto visa resolver (de forma visual) um problema. Beleza é parte da solução, e parte do problema: cada cultura entende beleza de formas diferentes.


Você já ouviu falar de Vitrúvio? Ele foi um arquiteto romano que viveu no século I a.C. Seu principal legado foi o tratado “Da Architectura”. Em seus escritos Vitrúvio definiu uma série de padrões de proporções (de onde, mais tarde, Leonardo daVinci se baseou para criar o famoso Homem Vitruviano) e também definiu três pilares conceituais para a arquitetura: Utilitas (função), Venustas (beleza) e Firmitas (estabilidade).

O conceito definido por Vitrúvio não poderia explicar melhor a minha visão sobre design. Um bom projeto precisa se apoiar nesses três pilares para ser consistente e cumprir com a missão. Para entender as demandas do cliente e criar algo belo e que se sustente é necessário conhecimento, dedicação e estudo, muuito estudo. E observação.

Afinal, como bem definiu Dieter Rams:

“Não dá pra entender o que é um bom design se você não entende de pessoas.” – Dieter Rams

Design é feito para pessoas. Como eu e você. E é para servi-las, para melhorar a vida das pessoas, que o design existe.

Observe o mundo à sua volta: Da ergonomia aplicada às cadeiras do seu escritório até a interface gráfica do seu celular, tem muito design ao seu redor. E tudo isso é fruto da engenhosidade humana aliada à necessidade de resolver problemas.

É fascinante!